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A CRISE mostrou, recentemente, que muitos negócios, produtos, gestores, governantes, estratégias e mercados, estavam errados.
Este é o momento para pôr tudo em causa e procurar novos paradigmas.
UM FACTO: quem for pelo mesmo caminho vai dar, na melhor das hipóteses, ao mesmo sítio. Isso significará ir dar a caminhos já percorridos e isso pode ser mau, muito mau…
Este é o momento ideal para desafiar a nossa mente e evitarmos ser controlados por ela.
Vivemos uma época de oferta alargada de produtos, serviços e soluções. A diferenciação é cada vez mais difícil. No entanto, reconhecemos que o consumidor gosta de inovação optando, normalmente, pelo mais barato sempre que não vê, ou sente, valor acrescentado. Esta realidade coloca-nos, enquanto seres humanos e como profissionais, algumas questões importantes:
• O que é criatividade?
• Como ser criativo?
Criatividade é um termo que possui imensas definições. Como sou apologista da simplificação defini-o de uma forma muito simples: criatividade é conectar aquilo que ainda não foi conectado.
Enquanto seres humanos deparamo-nos aqui com um grande problema a resolver! A nossa mente odeia a criatividade! O nosso cérebro está naturalmente “programado” para poupar energia. Sempre que lhe pedimos uma resposta ele processa a informação armazenada e responde ou em função da informação que possui, ou da experiência semelhante vivida anteriormente! Para o nosso cérebro, este tipo de comportamento é lógico. Tempo é energia, por isso ele quer dar uma resposta rápida, procurando os “atalhos” mais curtos para responder às nossas solicitações. Ele também assume esta atitude como um mecanismo de autodefesa. Quer isto dizer que ao defender o nosso corpo, poupando-nos a esforços e tempo de reação, por outro lado, o nosso cérebro condiciona a nossa criatividade!
Novas ideias traduzem-se em novos caminhos, exigindo, naturalmente, energia adicional. Se conseguirmos ultrapassar a resistência natural do nosso cérebro, o mesmo acomoda essa nova experiência, passando a aceitá-la como válida.
EM CONCLUSÃO: criar é desafiar a mente.
Criatividade é um processo de transformação, troca, desenho, descoberta, invenção e produção de algo novo.
Não é por acaso que a imagem tipo que o senso comum associa a pessoas muito criativas, é a de alguém exótico e “diferente”. Estes são tempos de mudança. Quanto mais rápidos formos melhor seremos. Temos o poder e a liberdade de escolher o que queremos saber. INFORMAÇÃO É PODER.
As opções são evidentes:
• conformismo = estagnação, ou em alternativa
• arriscar, desafiar, criar, inovar e, provavelmente, usufruir…
Como ser criativo?
Em primeiro lugar: adopte uma atitude irreverente, persistente e corajosa. O compromisso terá que ser a atitude resiliente, ativa e criativa.
Um ser criativo começa por ver, ouvir e sentir o mesmo que os outros. Conhecer o que já está conectado é o primeiro passo para perceber o que ainda não está conectado (ex: conhecer a concorrência. Contra quem corro? Quem são? Que fazem? Como fazem? Comparativamente com eles como me avalio?). É o prazer de pensar que move muita gente criativa. Galileu Galilei defendia que o ser humano sente prazer ao pensar.
Outra condição fundamental é possuir objectivos e metas para atingir. O ser humano é feliz quando atinge o seu propósito. Trabalhar é uma atividade potencialmente forte para estimular a criatividade. Permite interações, permite estar atento a novas situações e a novos detalhes. Desafia-nos e estimula-nos. Uma atitude criativa começa por questionar, por querer mais, melhor, diferente. Criar tem um estado de ânimo próprio: uma atitude mental positiva.
O principal mecanismo para se ser criativo é a ATENÇÃO.
O segundo: ENTUSIASMO.
O terceiro: DESEJO. Os desejos são, muitas vezes, pressentimentos sobre as faculdades que estão dentro de nós as quais ainda não reconhecemos.
O quarto: PENSAR DIFERENTE.
O quinto: FAZER (nunca se esqueça de que falhará 100% daquilo que não tentar).
O sexto: AVALIAR RESULTADOS. Validação. Compatibilidade com os quadros de valores dos destinatários.
O sétimo: REFAZER.
O oitavo: FAZER MELHOR. Aprimorar.
O nono: REVALIDAR. Confirmação da aprovação do mercado.
O décimo: HUAU! DESFRUTAR. FESTEJAR. A Criatividade contagia de forma positiva. Por isso um criativo é também uma pessoa inteligente (mas uma pessoa inteligente pode não ser criativa).
Registe: o Homem muda o Mundo através das ideias que coloca em ação.
Hoje em dia é uma questão de bom senso empresarial e de “inteligência de gestão de capital humano”, recrutar gente que seja criativa: gente capaz de ajudar a criar o futuro, talentos que saibam fazer e desfazer para fazer melhor.
Criatividade e as Negociações, porquê e para quê?
Simples e objectivo: estão a decorrer mudanças profundas nas interações entre as marcas, os produtores, os distribuidores e os consumidores, provocadas por mudanças de parâmetros, ou seja: novas implicações qualitativas e quantitativas afectam definitivamente os resultados.
O cérebro de um Negociador eficiente é aquele que tem mais atalhos para respostas imediatas.
Para sermos eficientes, primeiro temos que acomodar muita informação. Significa investir, sair da zona de conforto, ter persistência, procurar, viver e saber partilhar novas experiências.
A inspiração precede o nosso desejo de criar.
Imaginar é fruto da criatividade visual. Quanto mais se vê, mais se pode imaginar.
O Negociador moderno odeia a alcatifa. O Negociador moderno está permanentemente no mercado. Ver, sentir e escutar o mercado, é o requisito mais inteligente para se poder ser criativo. O verdadeiro desafio negocial é procurar caminhos ainda não percorridos.
Quem são os inimigos da Criatividade?
• Rotina
• Zona de conforto
• Falta de motivação intrínseca e extrínseca
• Stress (o medo é a mãe do stress). Não é possível viver a vida sem stress porque o stress está no mundo. O sistema que origina o stress não é racional. A qualidade da resposta que soubermos dar a esse sistema reflete-se na qualidade da nossa criatividade
• Medos (medo social, medo do ridículo, medo do fracasso)
• Falta de hábitos saudáveis
• Chefias retro e contextos aborrecidos
• Colaboradores acomodados.
O maior medo dos medíocres é o medo do novo. Criar é, assim, um ato de ruptura, de destruição de resistências. Exige esforço e muita força de vontade. Criar é por vezes um processo doloroso! A grande dor é a dor da nova ideia.
Em conclusão: Sou criativo quando sou capaz de rasgar as convencionais formas de ver, pensar e agir.
A vida é feita de escolhas. Se não está satisfeito com os resultados que obtém, descubra formas originais de obter outros e atue em conformidade. Insista, insista e insista, até que exista.
Um Negociador “parado” é pouco mais que um poste.
© João Alberto Catalão
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